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sábado, 15 de dezembro de 2012

Guilherme I


Guilherme, o Conquistador (francês: Guillaume le Conquérant; inglês: William the Conqueror) (Falaise, Normandia, cerca de 1028[1] - perto de Ruão, França, 9 de Setembro de 1087), também conhecido como Guilherme I da Inglaterra (Guillaume Ier d’Angleterre; William I of England) e Guilherme II da Normandia (Guillaume II de Normandie; William II of Normandy), foi o primeiro normando rei da Inglaterra, do Natal de 1066 até a sua morte. Ele também foi duque a Normandia de 3 de julho de 1035 até a sua morte. Antes de conquistar a Inglaterra, ele era conhecido como Guilherme, o Bastardo (Guillaume le Bâtard; William the Bastard) devido à ilegitimidade de seu nascimento.

Acredita-se que Guilherme tenha nascido em 1027 ou 1028 no castelo de Falaise em Falaise, Normandia, França, mais provavelmente no outono de 1028. Guilherme foi o único filho de Roberto I, duque da Normandia, assim como sobrinho-neto da rainha inglesa, Ema da Normandia, esposa do rei Etelredo II de Inglaterra e depois do rei Canuto, o Grande.

Apesar de ilegítimo, seu pai o escolheu como herdeiro da Normandia. Sua mãe, Herleva, que depois se casou e teve dois filhos com Herluino de Conteville, era filha de Fulberto de Falaise. Além de seus dois meio-irmãos pelo lado materno, Odo de Baieux e Roberto, conde de Mortain, Guilherme também teve uma irmã, Adelaide da Normandia, filha de Roberto I.

A ilegitimidade afetou sua juventude. Quando criança, sua vida esteve em constante perigo por causa de seu parentesco sanguíneo por aqueles que acreditavam ter mais direito legítimo para governar. Uma tentativa contra a vida de Guilherme ocorreu enquanto ele dormia na fortaleza de Vaudreuil, quando o assassino por engano apunhalou a criança que dormia ao seu lado.

Todavia, quando seu pai morreu, ele foi reconhecido como o herdeiro.

Depois, seus inimigos o chamavam de "Guilherme, o Bastardo", e ridicularizavam-no como o filho da filha do curtidor, e os residentes da conquistada Alençon penduravam peles de animal nos muros da cidade para insultá-lo.


Pela vontade de seu pai, Guilherme sucedeu -lhecomo duque da Normandia aos sete anos em 1035. 

Guilherme foi apoiado pelo rei Henrique I de França. Ele foi feito cavaleiro por Henrique aos 15 anos. Quando Guilherme chegou aos 19 anos, lidou de forma bem sucedida com ameaças de rebelião e invasão. 

Com a assistência de Henrique, Guilherme finalmente assegurou o controle da Normandia, derrotando barões rebeldes normandos em Caen, na batalha de Val-ès-Dunes em 1047, obtendo a Trégua de Deus, que foi apoiada pela Igreja Católica Romana. Contra os desejos do papa Leão IX, Guilherme se casou com Matilde de Flandres em 1053 na capela de Notre-Dame do castelo de Eu, Normandia. 

Na época, Guilherme tinha cerca de 24 anos e Matilde 22. Afirma-se que Guilherme foi um marido fiel e apaixonado, e seu casamento produziu quatro filhos e seis filhas. Em arrependimento pelo que foi um casamento consanguíneo (eles eram primos distantes), Guilherme doou a igreja de Santo Estêvão em Caen e Matilde doou a igreja da Santíssima Tridade em Saint-Étienne.

Sentindo-se ameaçado pelo aumento no poder normando resultante do casamento nobre de Guilherme, Henrique I tentou invadir a Normandia duas vezes (em 1054 e 1057) sem sucesso. Já um líder carismático, Guilherme atraiu forte apoio dentro da Normandia, inclusive a lealdade de seus meio-irmãos Odo de Bayeux e Roberto, conde de Mortain, que desempenharam funções importantes em sua vida. Depois, ele se aproveitou da fraqueza dos dois centros de poder concorrentes resultante das mortes de Henrique I e de Godofredo II, conde de Anjou, em 1060. Em 1062, Guilherme invadiu e controlou o condado de Maine, que havia sido um feudo de Anjou

  1. Reivindicação ao trono inglês

Com a morte de Eduardo, o Confessor, que não tinha filhos, o trono inglês foi ferozmente disputado por três pretendentes: Guilherme; Haroldo Godwinson, o poderoso conde de Wessex; e o rei viking Haroldo III da Noruega. Guilherme tinha uma tênue reivindicação sanguínea através de sua tia-avó Ema (esposa de Etelredo e mãe de Eduardo). Guilherme também afirmava que Eduardo, que tinha passado a maior parte de sua vida no exílio na Normandia durante a ocupação dinamarquesa da Inglaterra, tinha lhe prometido o trono quando ele visitou Eduardo em Londres em 1052. Depois, Guilherme invocou que Haroldo havia lhe jurado lealdade em 1064; Guilherme havia salvo o naufragado Haroldo do conde de Ponthieu, e juntos eles derrotaram Conan II, duque da Bretanha. Naquela ocasião, Guilherme fez Haroldo cavaleiro; ele tinha também, todavia, enganado Haroldo por tê-lo feito jurar-lhe lealdade sobre os ossos escondidos de um santo.[


Em janeiro de 1066, contudo, de acordo com o último desejo de Eduardo e pelo voto do Witenagemot, Haroldo Godwinson foi coroado rei da Inglaterra pelo arcebispo de York, Aldredo.

Enquanto isso, Guilherme apresentou sua reivindicação ao trono inglês ao papa Alexandre II, que lhe enviou um estandarte consagrado em apoio. Então, Guilherme organizou um conselho de guerra em Lillebonne e em janeiro abertamente começou a reunir um exército na Normandia. 

Oferecendo promessas de terras inglesas e títulos, ele reuniu em Dives-sur-Mer uma imensa frota de invasão, supostamente de 696 navios. ELa transportava uma força de invasão que incluía, junto com as tropas próprias dos territórios de Guilherme (Normandia e Maine), grande número de mercenários, aliados e voluntários da Bretanha, nordeste da França e Flandres, e em menor número soldados de outras partes da França e das colônias normandas no sul da Itália. 

Na Inglaterra, Haroldo reuniu um grande exército no litoral sul e uma frota de navios para proteger o canal da Mancha.

Casualmente para Guilherme, sua travessia do canal foi atrasada por oito meses de ventos desfavoráveis. Guilherme conseguiu manter seu exército unido durante a espera, mas o de Haroldo foi reduzido pela diminuição dos suprimentos e queda da força moral. Com a chegada da estação de colheita, ele dispensou seu exército em 8 de setembro.

Haroldo também juntou seus navios em Londres, deixando o canal da Mancha desprotegido. Então chegaram notícias que o outro candidato ao trono, Haroldo III da Noruega, aliado com Tostig Godwinson, irmão de Haroldo, tinham desembarcado a dezesseis quilômetros de York. Haroldo novamente juntou seu exército e depois de uma marcha forçada de quatro dias derrotou Haroldo da Noruega e Tostig em 25 de setembro.

Em 12 de setembro, a direção do vento mudou e a frota de Guilherme zarpou. Uma tempestade desabou e a frota foi forçada a se abrigar em Saint-Valery-sur-Somme e a novamente esperar o vento mudar de direção. Em 27 de setembro, a frota normanda finalmente estendeu velas, desembarcando na Inglaterra na baía de Penvesey, Sussex, em 28 de setembro. Guilherme então deslocou-se para Hastings, poucos quilômetros a leste, onde ele ergueu um castelo pré-fabricado de madeira para base de operações. A partir dali, ele penetrou e saqueou o interior e esperou pelo retorno de Haroldo do norte.

As batalhas daquela época raramente duravam mais que duas horas antes que o lado mais fraco capitulasse; as nove horas de duração da batalha de Hastings indicaram a determinação dos exércitos de Guilherme e Haroldo. As batalhas também terminavam ao pôr do sol independentemente de quem estivesse vencendo. Haroldo foi morto um pouco antes do pôr do sol e, como ele receberia reforços descansados antes de a batalha recomeçar na manhã do dia seguinte, ele estava certo da vitória se sobrevivesse ao ataque final da cavalaria de Guilherme.

Por duas semanas, Guilherme esperou por uma rendição formal do trono inglês, mas em vez disso, o Witenagemot proclamou o jovem Edgar Atheling rei, embora sem coroação. Dessa forma, o próximo alvo de Guilherme foi Londres, aproximando-se através dos importantes territórios de Kent, via Dover e Cantuária, inspirando medo nos ingleses. Todavia, em Londres, o avanço de Guilherme foi repelido na Ponte de Londres, e ele decidiu marchar na direção oeste e atacar Londres a partir do noroeste. Após receber reforços do continente, Guilherme cruzou o Tâmisa em Wallingford, e lá ele forçou a rendição do arcebispo Stigand (um dos principais apoiadores de Edgar), no começo de dezembro. Guilherme chegou a Berkhamsted em poucos dias, onde Edgar abriu mão da coroa inglesa pessoalmente e o exausto nobre saxão da Inglaterra rendeu-se definitivamente. Ainda que Guilherme tenha então sido aclamado como rei inglês, ele solicitou uma coroação em Londres. Como Guilherme I, ele foi formalmente coroado no dia de Natal de 1066 na abadia de Westminster, a primeira coroação documentada ocorrida lá  pelo arcebispo Aldred

Ainda que o sul da Inglaterra tenha se submetido rapidamente ao governo normando, a resistência no norte continuou por mais seis anos, até 1072. 

Durante os dois primeiros anos, o rei Guilherme I enfrentou muitas revoltas por toda a Inglaterra (Dover, oeste da Mércia, Exeter). Também, em 1068, os filhos ilegítimos de Haroldo tentaram uma invasão na península sudoeste, mas Guilherme os derrotou.

Guilherme então devastou a Nortúmbria entre o estuário Humber e o rio Tees, o que fou descrito como a Destruição do Norte. Esta devastação incluiu incendiar a vegetação, casas e até ferramentas de trabalho no campo. Após seu cruel tratamento, a terra não se recuperou por mais de 100 anos. 

. Em 1071, Guilherme derrotou a última rebelião do norte através de uma jogada improvisada, subjugando a Ilha de Ely, onde os dinamarqueses tinham se reunido. Em 1072, ele invadiu a Escócia, derrotando Malcolm, que recentemente havia invadido o norte da Inglaterra. Guilherme e Malcolm concordaram com a paz assinando o Tratado de Abernethy e Malcolm entregou seu filho Duncan como refém pela paz

 Em 1074, Edgar Atheling se submeteu definitivamente a Guilherme.

Em 1075, durante a ausência de Guilherme, a Revolta dos Condes foi confrontada de forma bem sucedida por Odo. Em 1080, Guilherme enviou seus meio-irmãos Odo e Roberto para atacar Nortúmbria e Escócia, respectivamente. 

O filho mais velho de Guilherme, Roberto, irado por uma brincadeira de seus irmãos Guilherme e Henrique, que o molharam com água suja, foi responsável pelo que se tornaria uma rebelião em larga escala contra o governo de seu pai. Apenas com a ajuda militar adicional do rei Filipe que Guilherme foi capaz de confrontar Roberto, que estava então baseado em Flandres. Durante a batalha de 1079, Guilherme foi derrubado do cavalo e ferido por Roberto, que baixou sua espada apenas depois de reconhecê-lo. O envergonhado Guilherme retornou a Ruão, abandonando a expedição. Em 1080, Matilde reconciliou os dois, e Guilherme restaurou Roberto como herdeiro.

 Matilde morreu e Guilherme se tornou mais tirânico com seus domínios.

Guilherme morreu aos 59 anos no Convento de Saint-Gervais em Ruão, a principal cidade da Normandia, em 9 de setembro de 1087. Guilherme foi sepultado na Abadia dos Homens (Abbaye-aux-Hommes), a qual ele erigira, em Caen, Normandia. Diz-se que Herluin de Conteville, seu padrasto, lealmente levou seu corpo à sepultura.

O túmulo de Guilherme está atualmente identificado por uma placa de mármore com uma inscrição em latim; A placa data do começo do século XIX. O túmulo foi profanado duas vezes, uma durante as guerras religiosas na França, quando seus ossos foram espalhados pela cidade de Caen, e depois na Revolução Francesa. Após estes eventos, apenas o fêmur esquerdo de Guilherme, algumas partículas de pele e pó de osso permeneceram na tumba.

A invasão de Guilherme marcou a última vez que a Inglaterra foi de forma bem sucedida conquistada por uma potência estrangeira. 
.
Como duque a Normadia e rei da Inglaterra, ele dividiu seus domínios entre seus filhos, mas as terras foram reunidas sob seu filho Henrique, e seus descendentes adquiriram outros territórios por casamento ou conquista, e àquela altura, estas possessões seriam conhecidas como Império Angevino.

. O sistema de numeração da coroa inglesa (ou britânica) considera Guilherme o fundador do Estado da Inglaterra. Isto explica, entre outras coisas, porque o rei Eduardo I foi "o primeiro", embora ele tenha governado muito tempo depois do rei anglo-saxão Eduardo, o Confessor.
















terça-feira, 1 de novembro de 2011

Ricardo III


  • nasceu no Castelo de Fotheringay a 2 de Outubro de 1452
  • morreu a 22 de Agosto de 1485
  • foi o último Rei de Inglaterra da casa de York, entre 1483 e 1485.
  • Era filho de Ricardo, Duque de York e Cecily Neville, sendo o irmão mais novo de Eduardo IV, Rei de Inglaterra e de George, Duque de Clarence.
A sua subida ao trono foi marcada pelo desaparecimento dos seus sobrinhos (os príncipes na Torre) e iniciou uma revolta liderada por Henrique Tudor que provocou o fim da Guerra das Rosas.

A sua vida foi retratada por William Shakespeare na peça Ricardo III, entre em 1592 e 1593.

Ricardo nasceu numa altura em que o seu pai, o Duque de York, se afirmava como figura alternativa a Henrique VI, um rei fraco e influenciável.

Desta disputa iniciou-se a Guerra das Rosas. Após a execução de Ricardo de York ordenada por Margarida de Anjou depois da batalha de Wakefield, o pequeno Ricardo foi entregue aos cuidados do Conde de Warwick, então um firme apoiante da facção de York.

Em 1472 Ricardo casou com Anne Neville, a filha mais nova de Warwick, de quem teve o seu único descendente Eduardo de Middleham, futuro Príncipe de Gales.

Em 1461, o seu irmão mais velho sucede depondo Henrique VI e torna-se Eduardo IV de Inglaterra. Ricardo recebe o título de Duque de Gloucester e nos anos seguintes mostra ser um leal servidor de Eduardo.

Por contraste, George de Clarence nunca cessou de conspirar contra o rei e irmão e acabou executado em 1478. Ricardo acumulou o ducado com a nomeação de governador do rei para o Norte, onde se provou como líder militar de talento. A fidelidade ao rei e a competência na gerência do Norte trouxe outros benefícios e Ricardo tornou-se no nobre mais poderoso da corte.

Em Abril de 1483, Eduardo IV morre de repente, sendo sucedido pelo filho de 12 anos Eduardo V.

De acordo com o seu testamento, Ricardo de Gloucester é nomeado regente da coroa e protector do jovem rei e do seu irmão de 9 anos Ricardo, o Duque de York.

As disposições testamentárias de Eduardo IV não recebidas como boas notícias, principalmente pelos Woodville (os parentes da rainha consorte) que receavam ver a sua posição denegrida. Baseado em factos concretos ou não, Ricardo foi avisado pelo Lord Hastings de uma tentativa de o isolar dos sobrinhos e afastar do poder.

O Duque de Gloucester reagiu depressa. Enquanto Eduardo V regressava de Gales acompanhado pelo tio materno Anthony Woodville Conde Rivers, interceptou o cortejo e mandou prender e executar sumariamente Woodville e outros membros da família por alegada tentativa de assassinato.

A 22 de Junho de 1483, Ricardo de Gloucester faz ler uma declaração sua em que anuncia a sua intenção de se tornar rei, baseado numa alegada ilegitimidade de Eduardo V e do Duque de York. Três dias depois apresenta as provas perante o Parlamento, onde demonstra que o casamento de Eduardo IV com Isabel Woodville era bígamo, como tal nulo e sendo assim, a sua progenitura estava automaticamente barrada de aceder ao trono.

O Parlamento analisou as evidências e emitiu um documento conhecido como Titulus Regius, onde excluía o direito de sucessão dos filhos de Eduardo IV. Com esta medida, e uma vez que George, o Duque de Clarence, tinha sido executado por traição, Ricardo de Gloucester tornou-se rei de Inglaterra, sendo coroado a 6 de Julho.

Após a coroação de Ricardo III, Eduardo V e o Duque de York foram levados para a Torre de Londres e nunca mais foram vistos em público. A sua sorte é um dos mistérios da história de Inglaterra e Ricardo III um dos principais suspeitos de um possível assassinato.

Os métodos pouco convencionais que Ricardo III usou para subir ao trono, bem como o desaparecimento dos seus sobrinhos, lançaram rumores de usurpação e reacenderam a Guerra das Rosas.

Quase de imediato, estalou uma rebelião liderada por Henry Stafford, Duque de Buckingham, o seu antigo melhor amigo e aliado, que não tendo grandes hipóteses de aspirar à coroa por si, decidiu apoiar Henrique Tudor, Conde de Richmond. Ricardo III controlou esta ameaça e Buckingham foi executado em Salisbury em Novembro, mas Tudor já se encontrava a recrutar tropas em Gales.

Em Abril de 1484, Eduardo de Middleham, Príncipe de Gales, único filho de Ricardo III morre, deixando-o sem herdeiros. Por influência de Anne Neville, Ricardo nomeia então Eduardo Conde de Warwick (filho de 10 anos do Duque de Clarence), como sucessor, mas depois da morte desta muda de ideias e escolhe antes João de la Pole, Conde de Lincoln, um homem adulto que lhe era leal.

Em Agosto de 1485, Henrique Tudor e Ricardo III defrontaram-se na Batalha de Bosworth Field, que haveria de ser a última da guerra das rosas. Ricardo III perdeu o confronto graças à união dos seus inimigos e à deserção de uma parte importante do seu contingente, liderada pelo Lorde Stanley e o Conde de Northumberland.

A sua morte nesta batalha abriu o caminho para a subida ao trono de Henrique VII e início da dinastia de Tudor. Segundo Shakespeare as suas últimas palavras foram: "A horse! My kingdom for a horse!"

Ricardo III é um dos reis mais populares da história do Reino Unido, pela sua personalidade dúbia que inspira ainda hoje em dia acesos debates. Henrique VII patrocinou mais tarde John Morton, na sua biografia de Ricardo III, que basicamente se dedicava a denegrir a imagem do último dos York. Morton acusou Ricardo III de inúmeras malvadezes e lançou a acusação do assassinato dos sobrinhos. Recentemente, historiadores começaram a pôr em causa a correcção factual desta biografia escrita claramente com objectivos políticos.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Eduardo V

  • nasceu a 4 de Novembro de 1470
  • morreu a 1483
  • foi Rei de Inglaterra da casa de York, durante o ano de 1483, apesar de nunca ter sido coroado. Era filho do rei Eduardo IV de Inglaterra e da sua consorte Isabel Woodville.
Eduardo nasceu na Abadia de Westminster, onde a sua mãe encontrara refúgio durante o exílio do pai e breve restauração de Henrique VI. Foi criado Príncipe de Gales em Junho de 1471, depois do regresso definitivo de Eduardo IV ao trono.

Em Abril de 1483, Eduardo sucedeu ao seu pai, com apenas 12 anos. Juntamente com o seu irmão mais novo Ricardo, Duque de York, foi entregue à guarda do tio Ricardo, Duque de Gloucester, que também assumiu a regência.

Menos de três meses depois, Gloucester fez aprovar no parlamento uma resolução que declarava os filhos de Eduardo IV ilegítimos e portanto indignos de asceder ao trono. A decisão fundamentava-se em provas da união de Eduardo IV com uma tal Leonor Talbot, o que tornava bígamo o casamento com Isabel Woodville.

Uma vez que os restantes irmãos de Eduardo IV estavam já mortos, e os filhos de George, Duque de Clarence estavam barrados de asceder ao trono pela traição do seu pai, Gloucester declarou-se rei de Inglaterra com o nome de Ricardo III.

Eduardo V e o seu irmão Ricardo foram então levados para a Torre de Londres e nunca mais foram vistos em público. O que lhes aconteceu permanece incerto e é um dos mistérios da história de Inglaterra. O mais provável é terem sido assassinados, talvez por ordens de Ricardo III, que desejava assegurar a sua condição de rei. Para mais detalhes consulte Torre de Londres.

Eduardo IV



  • nasceu em Ruão(França) a 28 de Abril de 1442
  • morreu a 9 de Abril de 1483
  • foi um rei de Inglaterra da casa de York, que reinou entre 1461 e 1483, com um intervalo de alguns meses no período 1470-1471.
  • Era filho de Ricardo, Duque de York e Cecília Neville, sendo trineto, através do bisavô Edmundo de Langley, do rei Eduardo III de Inglaterra.


Eduardo nasceu em Ruão (França), durante uma campanha da guerra dos cem anos. Talvez devido ao ambiente militar da época, o seu nascimento como primogénito do Duque de York não foi comemorado devidamente.

Num documentário da BBC, levantou-se a hipótese de Eduardo ser na realidade o produto de uma relação adúltera de Cecília Neville e portanto ilegítimo. Na época, no entanto, não se questionou a sua paternidade e Eduardo foi educado como o herdeiro do Duque de York.

Em 1455, o rei Henrique VI expulsou o pai de Eduardo da corte, numa tentativa de reaver o poder perdido durante a convalescência da sua depressão. Ricardo de York não estava disposto a largar a governação sem luta e iniciou a guerra das rosas contra a casa de Lancaster, o partido do rei.

Depois de alguns sucessos iniciais, assistidos pelo general Richard Neville, Conde de Warwick, que incluíram a captura do próprio Henrique VI, em 1460 o Duque de York perdeu a batalha de Wakefield contra os exércitos comandados por Margarida de Anjou.

A rainha consorte não lhe perdoou a traição contra o rei e ordenou a sua execução. Com o pai morto e a sua cabeça exposta nas muralhas de York, Eduardo tornou-se Duque de York com apenas dezoito anos.

A sua inexperiência foi largamente compensada por Richard Neville, o seu mentor, que viu nele as capacidades de um líder nato, capaz de substituir Henrique VI. Enquanto Margarida de Anjou fazia campanha no Norte, Warwick tomou Londres no ano seguinte, aprisionou Henrique VI na Torre de Londres e Eduardo tornou-se rei de Inglaterra.

  • Reinado

Eduardo mostrou-se um rei consensual e após a sua subida ao trono não houve ameaças imediatas ao seu poder. Ao contrário do seu antecessor, tinha ideias muito próprias quanto ao que fazer e não era facilmente influenciável. Nomeadamente na questão da escolha da sua mulher.

Apesar dos conselhos de Warwick, que lhe diziam para encontrar a sua rainha numa casa europeia, ou, excluíndo essa hipótese, uma das suas filhas, Eduardo resolveu seguir os seus próprios desejos e casou em segredo em 1464. A escolhida era Isabel Woodville, uma viúva oriunda de uma família obscura, que de imediato saltou para a ribalta.

Warwick teve dificuldade em engolir este revés, ainda para mais sabendo que perdia poder e influência a favor dos Woodville a cada dia que passava. Passado algum tempo revoltou-se e levantou um exército contra Eduardo e aprisionou-o após a batalha de Edgecote Moor em 1469.

Warwick tornou-se então no senhor de Inglaterra em tudo menos na dignidade real. Mas a sua personalidade já lhe trouxera inimigos e a popularidade de Eduardo não lhe garantia sucesso.

Em 1470 é obrigado a fugir para França e encontra refúgio em Margarida de Anjou, aí exilada desde 1461. Agora sogro de Eduardo de Westminster, o herdeiro de Henrique VI, Warwick retorna a Inglaterra e consegue derrotar os exércitos de Eduardo.

Henrique VI é reposto no trono a 30 de Outubro e Eduardo é obrigado a fugir para a corte do cunhado Carlos, o Temerário, Duque da Borgonha.

Regressando a Inglaterra com o apoio de um exército borgonhês, Eduardo derrota o seu antigo aliado na batalha de Barnet em Abril de 1471 e em Maio destrói o resto das forças lancastrianas na batalha de Tewkesbury.

Com Eduardo de Westminster morto e Margarida de Anjou aprisionada, apenas o frágil Henrique VI se mantinha como ameaça ao seu poderio. A situação foi resolvida com o assassinato discreto do antigo rei.

Nos anos seguintes, Eduardo encontrou problemas dentro da sua própria família, nomeadamente com os irmãos Jorge, Duque de Clarence e Ricardo, Duque de Gloucester, ambos casados com as duas filhas de Warwick. Após uma tentativa de traição em 1478, Eduardo mandou executar Clarence, diz a lenda que por afogamento dentro de um barril de vinho.

Eduardo morreu de repente em 1483 e encontra-se sepultado no Castelo de Windsor. A sua morte pôs fim a um período de paz relativa. O seu filho Eduardo V foi rapidamente deposto pelo tio Ricardo de Gloucester, cuja subida ao trono, em virtude da sua impopularidade, lançou o episódio final na guerra das rosas.

  • Descendência
De Isabel Woodville (1437-1492):

  • Isabel de York (1466-1503), rainha consorte de Henrique VII
  • Maria de York (1467–1482)
  • Cecília de York (1469–1507), casou com o Visconde Welles
  • Eduardo V, Rei de Inglaterra (1470-k.1483)
  • Margarida de York (1472–1472)
  • Ricardo, Duque de York (1473-k.1483)
  • Ana de York (1475-1511), casou com Thomas Howard, Duque de Norfolk
  • Jorge de York, Duque de Bedford (1477-1479)
  • Catarina de York (1479-1527), casou com William Courtenay, Conde de Devon
  • Brígida de York (1480–1517), freira.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Henrique VI



  • nasceu em 6 de Dezembro de 1421
  • morreu em 21 ou 22 de Maio de 1471
  • foi Rei de Inglaterra entre 1422 e 1461, e depois por um breve período entre 1470 e 1471.

  • Grande parte do seu reinado foi marcado pela guerra das rosas, entre as casas de Lencastre (à qual Henrique pertencia) e de York.

Henrique era filho do rei Henrique V de Inglaterra e da sua rainha consorte Catarina de Valois, princesa de França.

Devido à morte prematura do seu pai, foi filho único e subiu ao trono com poucos meses. A regência foi assumida pelos tios João, Duque de Bedford e Humphrey, Duque de Gloucester e a sua mãe foi afastada da corte e da sua educação.

Henrique foi coroado rei de Inglaterra aos oito anos de idade, na Abadia de Westminster a 6 de Novembro. De acordo com o tratado de Troyes, foi também rei de França, sendo coroado na Catedral de Notre-Dame de Paris a 16 de Dezembro de 1431.

No entanto, Henrique não foi aceite pela maioria dos franceses, que reconheciam ao invés Carlos VII de França como seu monarca, e não é contabilizado como rei deste país.

A subida ao trono de Henrique representou um revés para a política externa de Inglaterra, nomeadamente na questão da guerra dos cem anos, até então governada pelo competente e agressivo Henrique V.

O regente e duque de Bedford assumiu o controlo da frente francesa e obteve em nome de Henrique VI alguns sucessos, até ao aparecimento de Joana d’Arc e ao repudio do sobrinho pelos franceses.

Depois da morte de Bedford em 1435, uma sucessão de erros militares e diplomáticos custou a perda dos territórios dominados pelos ingleses em França, nomeadamente o Ducado da Aquitânia (em 1449).

Em 1453, depois da derrota na batalha de Chatillon, a guerra dos cem anos acaba com a derrota de Henrique VI.

Ao atingir a maioridade, o rei mostrou-se um rei inseguro, pouco pragmático e muito influnciável, mais interessado em assuntos de religião que de governo.

Em 1445, Henrique casou com Margarida de Anjou, uma mulher ambiciosa que depressa se tornou na verdadeira mão atrás das suas decisões.

À medida que a situação em França piorava de dia para dia, aumentou também a instabilidade política em Inglaterra. Vários nobres desagradados com a personalidade do rei e com a influência de Margarida de Anjou, começaram a conspirar para a sua substituição, apoiando a casa de York nas suas crescentes pretensões à coroa.

Este facto não passou despercebido a Henrique VI. Em 1453, na época em que Inglaterra perdeu definitivamente a guerra dos cem anos, o rei encontrava-se à beira da depressão e a sua incapacidade ditou a escolha de Ricardo, Duque de York como regente.

Para piorar a situação, corria o rumor que o seu filho recém nascido, Eduardo de Westminster, era ilegítimo e que o rei era impotente.

Em 1455, Henrique sente-se restabelecido e retira todos os cargos a Ricardo de York. Esta decisão precipita o confronto aberto; pouco depois as forças de York e os partidários do rei deforntam-se na batalha de St Albans, considerada como o início da guerra das rosas que havia de durar até 1487.

Em 1460 os York comandados por Ricardo Neville, Conde de Warwick conquistam Londres e a 4 de Março de 1461, depois da vitória na batalha de Mortimer’s Cross, Henrique VI é deposto e substituído pelo primo Eduardo de York, que se torna Eduardo IV de Inglaterra.

Henrique VI é aprisionado na Torre de Londres, sem qualquer influência na vida pública, mas os seus partidários, em particular Margarida de Anjou, continuam a opôr-se aos York.

Aproveitando-se de uma zanga entre Warwick e Eduardo IV em 1466, Margarida consegue que este general se torne apoiante da causa do rei em 1470. Para selar a aliança foi celebrado o casamento entre Anne Neville (filha de Warwick) e Eduardo de Westminster, o príncipe de Gales. Warwick invadiu então Inglaterra, à frente dos lancastrianos e derrotou a casa de York em batalha. Henrique VI foi libertado da prisão e solenemente reinvestido como rei de Inglaterra a 30 de Outubro do mesmo ano.

O seu regresso ao poder foi no entanto breve. As sucessivas vitórias de Warwick haviam-no tornado seguro demais para o que valia e fizeram-no tomar atitudes menos diplomáticas para com o ducado da Borgonha.

Em resposta, o duque Carlos aliou-se ao exilado Eduardo IV de Inglaterra, conferindo-lhe a ajuda necessária para reaver a coroa. A casa de York venceu a batalha de Tewkesbury a 4 de Maio de 1471, onde o príncipe de Gales morreu nos confrontos. Henrique VI foi uma vez mais deposto e colocado sob prisão na Torre de Londres. Sem querer cometer os mesmos erros do passado, Eduardo IV considerou que seria uma ameaça constante e mandou matá-lo no fim do mês de Maio.

A vida de Henrique VI foi o tema principal de uma peça em três partes de William Shakespeare. Henrique foi o fundador do colégio de Eton e do King’s College da Universidade de Cambridge.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Henrique V


  • nasceu em Monmouth a 9 de Agosto 1387
  • morreu em a 31 de Agosto 1422
  • foi rei de Inglaterra entre 1413 e 1422.
  • Fez parte da dinastia de Lancaster e era filho do rei Henrique IV Bolingbroke e de Maria de Bohun.
Henrique de Monmouth (assim conhecido por ter nascido no castelo de Gales com o mesmo nome) foi criado longe da corte, uma vez que não era descendente de um pretendente à coroa.

Em 1399, o seu pai revoltou-se contra o primo Ricardo II de Inglaterra, acabando por depô-lo e subir ao trono. Esta mudança conferiu um novo estatuto a Henrique, agora herdeiro da coroa e como tal Duque da Cornualha e Príncipe de Gales.

Estes títulos não eram só nominais. Henrique encarregou-se desde muito cedo da administração de Gales e em 1403, com apenas 16 anos, liderou os ingleses na batalha de Shrewsbury, que pôs fim à revolta organizada por Henry Percy.

Apesar de seriamente ferido em batalha, Henrique sobreviveu e continuou no terreno, lutando até 1408 contra Owain Glyndwr, outro rebelde galês.

A partir de 1410, Henrique assumiu o controle da administração, devido ao estado de saúde do pai, cada vez mais débil.

Finalmente em 20 de Março de 1413, Henrique de Monmouth sucede a seu pai como Henrique V.

As suas primeiras medidas foram no sentido de pacificar os conflitos internos derivados da violenta subida ao poder do seu pai. Foram emitidas amnistias e reinstituídos como herdeiros os filhos de homens que se opuseram a Henrique IV e morreram por isso.

Livre de pressões internas, Henrique dedicou-se à política externa, nomeadamente à sua pretensão à coroa de França e à resolução da guerra dos cem anos que durava já desde 1337.

A campanha de 1415 foi marcada pelo sucesso da batalha de Azincourt (25 de Outubro), onde as suas reduzidas tropas derrotaram o grosso do exército francês e dos seus aliados.

Em 1417, Henrique renova as hostilidades e conquista a Normandia, enquanto os franceses se encontravam divididos pelas disputas entre Armagnacs e borgonheses. Ruão cai em Janeiro de 1419 e em Agosto Henrique acampa com o seu exército sob as muralhas de Paris

Em Setembro João o Temerário, Duque da Borgonha é assassinado e a capital perde qualquer esperança de salvamento. Depois de seis longos meses de negociações, Henrique é declarado herdeiro e regente de França pelo tratado de Troyes e casa com a princesa Catarina de Valois a 2 de Junho de 1420.

Tudo parecia apontar para a união pessoal com a França e Henrique retirou-se, no auge do seu poder, para Inglaterra.

A visita a casa durou pouco tempo. Em 1421, o seu irmão Tomás, Duque de Clarence, morreu na batalha de Baugé e obrigou Henrique a regressar ao teatro de operações.

O Inverno passado em campanha, no cerco de Meaux, enfraqueceu-lhe a saúde e o rei acabou por morrer de disenteria em Agosto de 1422.

O corpo foi transladado para Londres e encontra-se sepultado na Abadia de Westminster.

Henrique V foi sucedido pelo filho único e homónimo, então um bebé de oito meses, longe de representar o líder forte que se desejava para manter os princípios do tratado de Troyes.

Assim, quando Carlos VI de França morreu poucos meses depois, o seu filho ficou à vontade para ignorar os acordos e, apesar de deserdado, reclamar a coroa francesa.

Só em 1801 os reis ingleses abdicaram dessa pretensão.

sábado, 13 de novembro de 2010

Henrique IV



  • nasceu a 3 de Abril de 1367
  • morreu a 20 de Março de 1413

  • foi rei de Inglaterra entre 1399 e 1413, o primeiro da dinastia de Lancaster. Henrique era filho de João de Gante, Duque de Lancaster, e neto do rei Eduardo III de Inglaterra.

  • Nasceu no castelo de Bolingbroke no Lincolnshire e, de acordo com o costume da época, passou a ser conhecido como Henrique Bolingbroke.
Apesar de apoiar o primo Ricardo II de Inglaterra no início do reinado deste, depressa os dois homens entraram em conflitos. Henrique acabou mesmo expulso do país e deserdado em 1398.

No ano seguinte, o seu pai morre na Aquitânia e Ricardo II confisca todos os seus bens para a coroa. Mas o monarca não era popular nem considerado competente e Henrique valeu-se disso para iniciar uma revolta aberta em 30 de Setembro de 1399.

O golpe é bem sucedido e Henrique é coroado rei de Inglaterra a 13 de Outubro, na Abadia de Westminster, iniciando a dinastia de Lancaster. Ricardo II foi deposto e assassinado por precaução no ano seguinte.

Em 1380, Henrique casou com Maria de Bohun, de quem teve vários filhos e filhas. Já rei, Henrique desposou a princesa Joana de Navarra, filha do rei Carlos II, com quem não teve descendência.

O reinado de Henrique foi marcado por várias insurreições populares, nomeadamente no País de Gales e em Inglaterra. O insucesso destas rebeliões deveu-se em parte à habilidade militar do seu herdeiro, o futuro Henrique V.

O fim da vida de Henrique IV foi marcado por problemas graves de saúde devidos a uma doença de pele, possivelmente psoríase ou um sintoma de sífilis. Henrique morreu em 1413 e encontra-se sepultado na catedral da Cantuária.

A sua vida encontra-se retratada em Henrique IV, uma peça em duas partes de William Shakespeare.

Henrique IV era irmão da Rainha de Portugal, D. Filipa de Lencastre (Primeira rainha da dinastia de Avis).

  • Descendencia
  • do seu casamento com Maria de Bohum

  • Eduardo (1382)
  • Henrique V, rei de Inglaterra (1387-1422)
  • Tomás, Duque de Clarence (1388-1421), morreu em batalha
  • João, Duque de Bedford (1389-1435)
  • Humphrey, Duque de Gloucester (1390-1447)
  • Branca (1392-1409), casou com Luís III, Eleitor Palatino
  • Filipa (1394-1430), casou com o rei Érico I da Dinamarca, Suécia e Noruega

sábado, 26 de junho de 2010

Ricardo II


  • nasceu em 6 de Janeiro, 1367
  • morreu em Fevereiro de 1400
foi rei de Inglaterra entre 1377 e 1399.

Era filho de Eduardo, Príncipe de Gales e de Joana de Kent e tornou-se herdeiro da coroa e Príncipe de Gales em 1376, depois da morte prematura do pai e de
um irmão mais velho.

Ricardo sucedeu como ao avô Eduardo III, mas acabou deposto pelo primo Henrique Bolingbroke, um Lancaster.


Na sua ascensão ao trono, Ricardo II tinha apenas dez anos, e como tal não poderia deter o poder real. A regência foi assegurada por um conjunto de homens fortes que incluíam o tio João de Gant, Duque de Lancaster.

Em 1381, Ricardo II saltou para a ribalta da política ao negociar pessoalmente com os líderes de uma revolta popular. As suas acções prometiam um rei competente, o que acabou por não se provar. Ricardo II mostrou-se um rei vacilante, influenciável e nalgumas circunstâncias tirânico.

Em 1382, Ricardo casou com Ana da Boémia, filha de Carlos IV, Imperador do Sacro-Império.

O casal foi feliz, mas a união não produziu qualquer descendência. Ricardo II casou uma segunda vez em 1394, com Isabel de Valois, filha do rei Carlos VI de França; a união não chegou a ser consumada.

Para o fim do seu reinado, Ricardo II entrou em disputa aberta com a família Lancaster, liderada por João de Gant, que tinha sido despachado para o continente como Duque da Aquitânia.

Em 1398 expulsou também do país Henrique de Lancaster, seu primo, e quando o tio morreu em 1399, confiscou para a coroa todos os seus bens. Esta decisão valeu-lhe o ódio de Henrique, que invadiu Inglaterra.

Ricardo II foi deposto no mesmo ano e foi assassinado no Castelo de Pontefract, onde se encontrava sob prisão, numa data incerta de Fevereiro de 1400
.
Ricardo II foi o último rei do ramo primogénito da dinastia Plantageneta (esta iria perdurar através dos ramos cadetes York e Lancastre por quase um século).

A subida ao trono de Henrique IV foi contestada e a médio prazo degenerou na guerra das 2 rosas.

A sua vida encontra-se retratada na peça de William Shakespeare Ricardo II.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Eduardo III



  • Nasceu a 13 de Novembro, 1312
  • morreu em 21 de Junho, 1377
  • foi Rei de Inglaterra entre 1327 e 1377.
  • Era filho de Eduardo II de Inglaterra e da princesa Isabel de França.
  • Reinado

Tornou-se rei da Inglaterra aos 14 anos, após seu pai ter sido deposto pela própria esposa, a princesa Isabela de França.

Teve como regentes a sua própria mãe e Roger Mortimer, seu tutor, responsáveis pela precoce coroação.
Em 24 de janeiro de 1328, se casou com Filipa de Hainault, com quem teve uma ampla descendência.
Ao contrário de seu pai, Eduardo III tinha uma personalidade forte, revelada logo que atingiu a maioridade. Ao completar 18 anos, tomou o controle do país e ordenou a execução de Mortimer, o seu padrasto e exilou sua mãe, acusando-os do assassinato de seu pai, três anos antes.

Eduardo III dedicou o início da década de 1330 para restaurar o domínio sobre a Escócia, que aproveitara a confusão na política inglesa durante o reinado de Eduardo II e dos anos que se seguiram, para readquirir sua independência.

Com a conquista da vitória assegurada na batalha de Halidon Hill, em 1333, Eduardo III voltou-se para outro conflito marcante durante a Idade Média.

Em 1328, Carlos IV de França, o último dos três filhos de Filipe IV, morreu sem deixar um descendente do sexo masculino. Como na França vigorava a lei sálica, a Coroa passou para Filipe de Valois, um primo distante, que foi coroado como Filipe VI de França.

Eduardo III era sobrinho do falecido Carlos IV, pelo lado materno, e considerou a sua pretensão mais razoável que a do Conde de Valois, apesar de a lei sálica tecnicamente o excluir da sucessão.

Os franceses não aceitaram essa hipótese que resultaria numa perda de independência e confirmaram Filipe VI como rei. Depois de alguns conflitos diplomáticos, Eduardo III declarou hostilidade aberta à França, iniciando assim a Guerra dos Cem Anos.

O início das hostilidades foi marcado pelos sucessos da batalha de Crecy (1346) e da batalha de Poitiers (1356), e pela conquista de grande parte do Norte de França.

Apesar disso, Eduardo III não fez nenhuma tentativa para ir mais longe e conquistar Paris, por exemplo. Entregado o controle da frente francesa ao filho Eduardo, o Príncipe Negro, que já se mostrava um notável líder militar, enquanto Eduardo III se concentrou na guerra com a Escócia.

O resultado da campanha do Príncipe Negro foi excelente: a Inglaterra venceu a França na Batalha de Poitiers e Eduardo III teve a honra de ver o rei João II de França como seu prisioneiro. As condições de resgate detalhadas no Tratado de Brétigny garantiam o pagamento de 3.000.000 de coroas para o seu reino e cerca de um terço do território francês.

Apesar de se respeitarem mutuamente, Eduardo III e o seu primogénito não tinham uma relação muito harmoniosa nem partilhavam a mesma visão de como deveria ser a política interna.

O casamento do príncipe de Gales com Joana de Kent tinha sido motivo de grande ressentimento para Eduardo III. No entanto, quando Eduardo de Gales morreu, em 1376, Eduardo III chorou a sua morte e se tornou melancólico. Morreu no ano seguinte, sendo sucedido pelo neto Ricardo.

Depois da morte de Eduardo III, a sucessão do trono inglês parecia assegurada, seja por Ricardo, ainda muito jovem, seja pelo grande número de filhos que Eduardo gerou. Porém, os conflitos que em breve ocorreriam, entre os diversos ramos da sua descendência, deram origem à Guerra das Rosas, onde os seus netos, divididos entre as casas de York e Lancaster, disputaram a coroa numa sangrenta guerra civil.

  • Descendência

Nota: Os seus filhos ficaram conhecidos pela cidade onde nasceram.
  1. Eduardo, Príncipe de Gales, o Príncipe Negro (1330-1376), casou com Joana de Kent e foi pai de Ricardo II de Inglaterra, o último Plantageneta
  2. Isabel Plantageneta (1332-1382), casou com Enguerrand VII, Senhor de Coucy
  3. Guilherme Plantageneta (1334-1337)
  4. Joana Plantageneta (1335-1348)
  5. Leonel de Antuérpia, Duque de Clarence (1338-1368), casou com Isabel de Burgh e Valentina Visconti de Milão, mas teve apenas uma filha
  6. João de Gaunt, Duque da Aquitânia e de Lancaster (1340-1399). Os seus descendentes formaram a Casa de Lancaster, a facção da rosa vermelha na Guerra das Rosas. Foi também pai de Filipa de Lancaster, mulher do rei João I de Portugal.
  7. Edmundo de Langley, Duque de York (1341-1402). Os seus descendentes formaram a Casa de York, a facção da rosa branca na Guerra das Rosas.
  8. Branca Plantageneta (1342)
  9. Maria Plantageneta (1344-1361), casou com João V, Duque da Bretanha
  10. Margarida Plantageneta (n.1346), casou com John Hastings, Conde de Pembroke
  11. Tomás de Woodstock, Duque de Gloucester (1355-k.1399), casou com Leonor de Bohun

quarta-feira, 10 de março de 2010

Eduardo II


  • nasceu em Castelo de Caernarfon, 25 de abril de 1284
  • morreu em Gloucestershire a 21 de setembro de 1327
  • foi rei de Inglaterra de 1307, sucedendo ao pai, a Janeiro de 1327, quando foi obrigado a abdicar para Eduardo III.

  • Era o filho mais novo de Eduardo I de Inglaterra e de Leonor da Provença e nasceu no Castelo de Caernarfon no País de Gales.
  • Foi também o primeiro Príncipe de Gales, a partir de 1301.
  • Reinado
Eduardo tornou-se herdeiro da Coroa com poucos meses de vida, devido à morte de seu irmão mais velho, Afonso, ainda criança.

Desde cedo Eduardo I tentou educá-lo para governar, enfocando os aspectos militares. O príncipe participou de várias campanhas contra os escoceses mas, para desgosto do pai, desenvolveu o que os historiadores contemporâneos descrevem como uma personalidade fútil e extravagante.

Eduardo I atribuiu tal comportamento à má influência do amigo íntimo do filho, Piers Gaveston, e exilou-o para a sua Gasconha natal.

Gaveston era natural da Gasconha, então uma província do Ducado da Aquitânia, uma possesão da coroa inglesa. Veio para a corte de Inglaterra muito jovem e desde a infância adquiriu o estatuto de melhor amigo do Príncipe de Gales, o futuro Eduardo II. O rei Eduardo I desconfiava da natureza da relação acreditase que os dois eram amantes, Gaveston pela influência negativa que julgava ter sobre o filho. Em resultado, foi exilado para a Gasconha.

Em Julho de 1307, torna-se o rei Eduardo II com a morte do pai durante uma campanha.

A sua primeira atitude foi chamar Gaveston de novo à corte oferecer-lhe o condado da Cornualha e casá-lo com a sobrinha Margarida de Gloucester.

A relação dos dois era escandalosa e contribuía, na opinião dos nobres ingleses, para a negligência do rei nos assuntos da governação. Odiado pelos seus pares, Gaveston foi exilado mais duas vezes, apenas para ser chamado de volta assim que Eduardo II considerava prudente.

O seu principal inimigo era Tomás de Lancaster, um dos primos do rei, que Gaveston havia derrotado num torneio, mas muitos mais detestavam o favorito.

Em 1312 foi considerado necessário tomar medidas mais drásticas e Gaveston é assassinado por Lancaster.

Eduardo não era um homem dado à governação, preferindo os divertimentos da corte e as caçadas. Talvez devido à forte personalidade do pai, que sempre o controlou, tinha pouca confiança em si mesmo e era muito permeável à influência e à manipulação externa.

Em 25 de Janeiro de 1308, casou com a princesa Isabel de França, filha do rei Filipe IV. Foi uma união condenada ao fracasso, visto que Isabel foi rapidamente ignorada pelo marido, que, de acordo com alguns indícios, parece ter sido homossexual.

Apesar disso, tiveram quatro filhos.

Eduardo II nada fez para vingar a sua morte e em vez disso assistiu à formação do Parlamento e à passagem do poder efectivo para um conjunto de 21 nobres.
Gaveston foi substituído por Hugh le Despenser, cujo pai, de mesmo nome, era então um político experiente que soube tirar partido da relação.

Em breve a Inglaterra caíu num estado próximo da guerra civil entre o rei controlado pelos Despenser e os outros nobres. Entretanto, Roberto I da Escócia conquistava o terreno perdido para Eduardo I durante os anos anteriores, e conseguiu uma vitória significativa na batalha de Bannockburn.

A Batalha de Bannockburn (23-24 de junho de 1314) foi travada entre forças da Inglaterra e da Escócia, resultando em vitória significativa para esta última, no âmbito das Guerras de Independência Escocesa.
O exército inglês, de cerca de 25 000 homens, comandado por Eduardo II da Inglaterra, foi interceptado no vau de Bannockburn (riacho Bannock Burn, afluente do rio Forth) por um contingente escocês de cerca de 9000 soldados, sob o comando de Robert Bruce. Aos primeiros embates do dia 23, relativamente modestos, seguiu-se um grande confronto no dia seguinte. O resultado pode ser atribuído à desastrada disposição das forças inglesas, entre dois riachos e em solo pantanoso. Eduardo II retirou-se do campo e fugiu de volta à Inglaterra.
A vitória escocesa foi completa e, embora o reconhecimento inglês da independência da Escócia ainda tardasse mais de 10 anos (1328), ajudou Robert Bruce a restabelecer um Estado soberano escocês.

Esta derrota enfraqueceu ainda mais o poder de Eduardo II e nos anos seguintes a Inglaterra foi governada por Hugh le Despenser pai, que não hesitou em mandar executar ou exilar os seus adversários políticos.

Em 1325, Isabel de França abandonou o país com o futuro Eduardo III a pretexto de uma visita ao Ducado da Aquitânia mas os seus motivos eram bem diferentes. Depressa anunciou que se recusava a entregar o herdeiro enquanto os Despenser se encontrassem em favor real.

A seu lado estavam os nobres exilados que detestavam o rei e o seu favorito, em particular Roger Mortimer, Conde de March, que tinha se tornado seu amante.

Em Setembro de 1326, Isabel desembarcou em Essex acompanhada por um exército, anunciando que vinha para vingar as perseguições e expulsar os Despenser do poder. De imediato obteve o apoio de muitas casas importantes e avançou para Londres com confiança.

Abandonado pelos seus partidários Eduardo II fugiu da capital e refugiou-se no Castelo de Glamorgan, propriedade dos Despenser.

Isabel seguiu-o e tomou o castelo, executando Hugh le Despenser pai e filho, sem contemplações.

Eduardo ainda tentou fugir à mulher, mas foi capturado pouco depois e encarcerado em Kenilworth. Em 25 de Janeiro de 1327, o Parlamento reunido em Westminster obrigou-o a abdicar para o filho.

  • Últimos dias

A regência de Isabella e Mortimer era precária. Em 3 de Abril, Eduardo II foi removido de Kenilworth e confiado à guarda de dois subordinados Mortimer e, em seguida, levado para o Castelo de Berkeley, em Gloucestershire, onde acredita-se, ele foi assassinado por um agente de Isabella e Mortimer.

Eduardo II foi tratado em condições sub-humanas pois esperava-se que ele não resistisse muito tempo a alguma doença e morreria de forma que parecesse natural. Mas isso não aconteceu e os regentes viam sua situação piorar a cada dia até que um dos guardas teve uma idéia para assassiná-lo.

Não era possível usar venenos ou qualquer tipo de armas que deixassem à mostra uma prova que ele teria sido assassinado. Então. na noite de 21 de Setembro, Eduardo II foi surpreendido enquanto dormia.

Um grande colchão foi jogado sobre ele para abafar seus gritos enquanto um chifre de boi oco era introduzido em seu ânus. Por dentro do chifre, passou um ferro em brasa que queimou seu intestino e vários órgãos internos.

Houve rumores que Eduardo II tinha sido morto pela inserção de um pedaço de cobre em seu reto (mais tarde, uma haste de ferro vermelho e quente, como no suposto assassinato de Edmund Ironside).

A razão de usarem um chifre era para permitir ao ferro em brasa penetrar, queimar as entranhas do rei e sair sem ferir suas nádegas.

Na sequência do anúncio público da morte do rei, a situação de Isabella e Mortimer não duraria muito. Eles fizeram a paz com os escoceses no Tratado de Northampton, mas esse acordo foi extremamente impopular.

Assim, quando Eduardo III assumiu o trono em 1330, ele mandou executar Roger Mortimer com base em quatorze acusações de traição, mais significativamente o assassinato de Eduardo II.

Eduardo III poupou sua mãe e lhe deu um generoso subsídio, mas garantiu que ela se retirasse da vida pública sendo confinada num castelo.

Ela morreu em Hertford em 23 de Agosto de 1358.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Eduardo I


  • Eduardo I de Inglaterra


  • nasceu a 17 de Junho de 1239
  • morreu em Burgh-a-Sands, Cumberland, na fronteira escocesa a 7 de Julho de 1307, cognominado Longshanks,(Pernas longas)

  • foi um Rei de Inglaterra da dinastia Plantageneta entre 1272 e 1307.
  • Era filho de Henrique III de Inglaterra, a quem sucedeu em 1272, e de Leonor da Provença. Durante o seu reinado, a Inglaterra conquistou e anexou o País de Gales e adquiriu controle sobre a Escócia.
  • Reinado

Eduardo mostrou ter uma personalidade e estilo de governação bastante diferentes do seu pai, que procurava reinar por consenso, resolvendo crises de forma diplomática.

A primeira prova do seu carácter forte surgiu em 1265, ainda enquanto herdeiro, quando derrotou decisivamente o rebelde Simão de Montfort, Conde de Leicester na batalha de Evesham, perseguindo depois todos os seus apoiantes e família.

Suas acções garantiram uma reputação de violência e falta de misericórdia para com os seus adversários.

Em 1270, Eduardo juntou-se ao movimento das Cruzadas em parceria com o rei Luís IX de França.

Devido aos ataques continuados aos estados cruzados do Levante, São Luís decidiu lançar uma Oitava Cruzada, para a qual se apresentaram os seus filhos, além de numerosos príncipes e senhores.

Partiram em direcção a Túnis a 4 de Julho de 1270. Mais uma vez no mar, outra grande tempestade dispersou as embarcações e impediu muitas outras de partir.

São Luís esperava converter o sultão de Túnis ao cristianismo para, aliados, atacarem o sultão do Egipto. No entanto, depois da rápida conquista de Cartago pelos cruzados, este não permitiu sequer o desembarque da armada europeia. Iniciou-se um confronto, com os franceses assediando vários pontos nevrálgicos dos inimigos e a própria capital. Como esta resistisse, decidiram domina-la cortando os víveres.

Mas as doenças da cidade atingiram também o exército francês. Luís IX viu morrer seu filho João Tristão, nascido durante o seu cativeiro no Egipto, e pouco depois morreria ele mesmo, a 25 de Agosto de 1270, precisamente 22 anos após a sua partida para a Sétima Cruzada.

Tradicionalmente tem sido aceite que fora vitimado pela peste bubónica, mas estudos recentes indicam a sua morte por disenteria.

Enquanto se encontrava na Terra Santa, Henrique III faleceu e Eduardo regressou a Inglaterra para reclamar a coroa em 1274.

Em 1282, os nobres do País de Gales, liderados pelos príncipes Llywelyn e Dafydd, revoltaram-se contra a presença inglesa. Eduardo lançou contra eles toda a sua força militar e derrotou o exército rebelde.

Para além de perseguir até ao último os nobres galeses, Eduardo fortificou o país de forma a assegurar a sua posição.

Sem mais família real ou aristocracia digna de tomar iniciativa, o País de Gales foi incorporado em Inglaterra em 1284 através do Estatuto de Rhuddlan.

Para financiar a sua expedição contra Gales, Eduardo impôs um novo sistema de impostos aos usurários judeus, o que deixou muitos deles na bancarrota.

Quando não puderam mais contribuir, Eduardo acusou-os de falta de lealdade ao Estado e passou a persegui-los.

Cerca de 300 chefes de família foram assassinados na Torre de Londres e muitos mais no resto de país.

Em 1290, Eduardo expulsou os últimos judeus de Inglaterra. Os judeus só puderam regressar à Inglaterra no século XVII, após a missão bem-sucedida de Menasseh ben Israel, que pediu a Oliver Cromwell a permissão de entrada no país para os judeus neerlandeses.

Depois destes episódios contra Gales e o povo judaico, Eduardo virou as suas atenções para a Escócia, onde se vivia uma crise dinástica depois da morte da rainha-criança Margarida I da Escócia, que morreu num naufrágio em 1290.

O seu plano inicial era casar o seu herdeiro Eduardo com Margarida e assim concretizar a anexação, mas quando esta morreu com apenas sete anos, Eduardo I foi convidado pela nobreza escocesa a escolher o novo rei.

Em 1291, a escolha recai sobre John Balliol, um homem extremamente impopular, o que resultou na primeira das guerras da independência da Escócia.

O herói desta guerra contra Eduardo I foi William Wallace, cuja vida fantasiada foi retratada no filme Braveheart. Após mais de dez anos de conflito, Wallace foi feito prisioneiro à traição e executado brutalmente para dar o exemplo.

O efeito foi o oposto visto que os escoceses se motivaram ainda mais pela independência através do martírio de Wallace.

A vida de Eduardo I não foi melhor depois disso. Ele perdeu sua amada primeira esposa, Leonor, e seu herdeiro, Eduardo II, também não era o que ele esperava.

O plano de conquistar a Escócia acabou por fracassar.

Em 1307 ele morreu em Burgh-a-Sands, Cumberland, na fronteira escocesa, a caminho de uma outra campanha contra esses últimos que, ironicamente, estavam sob a liderança de Robert Bruce, amigo de Wallace.

Eduardo foi sepultado na Abadia de Westminster, em uma tumba de mármore preto, que nos últimos anos foi pintado com as palavras Edwardus Primus Scottorum malleus hic est, pactum Serva (Aqui está Eduardo I, martelo escocês. Mantenha a Fé).

Em 2 de Janeiro de 1774, a Sociedade de Antiquários abriu o caixão e descobriu que seu corpo havia sido perfeitamente preservado por 467 anos. Seu corpo foi medido em 6 pés 2 polegadas (188 cm).

  • Descendência
  • De sua primeira mulher, a princesa Leonor de Castela (1240-1290)
1-Catarina (1264)
2-Joana (1265)
3-João (1266-1271)
4-Henrique (1268-1274)
5-Leonor Plantageneta (1268-1297), casou com Afonso III, Rei de Aragão e com Henrique III, Conde de Bar
6-Joana Plantageneta (1272-1307), casou com Gilberto de Clare, Conde de Gloucester
Afonso, Conde de Chester (1273-1284)
7-Margarida Plantageneta (1275-1333), casou com João II, Duque de Brabante
8-Berengária (1276-1278)
9-Maria Plantageneta (1279-1332), freira
10-Isabel Plantageneta (1282-1316), casou com Humphrey VIII de Bohun, Conde de Hereford e Essex
11-Eduardo II, Rei de Inglaterra (1284-k.1327)
12-Beatriz, princesa de Inglaterra (1286)
13-Branca, princesa de Inglaterra (1290)

  • De sua segunda mulher, a princesa Margarida de França (1275-1317)
14-Tomás Plantageneta, Conde de Norfolk (1300-1338)
15-Edmundo Plantageneta, Conde de Kent e Arundel (1301-e.1330)
16-Leonor (1306-1311)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Henrique III



Henrique III

Nasceu em Winchester a 1 de Outubro de 1207
Morreu no Palácio de Westminster a 16 de Novembro de 1272

Rei de Inglaterra e duque da Aquitânia entre 1216 e 1272.
Até 1259 foi também duque da Normandia e conde de Anjou, embora apenas nominal, visto que estes territórios tinham sido conquistados e anexados pelo rei Filipe II de França em 1204.

Henrique III era filho de João I de Inglaterra e da sua segunda mulher Isabel de Angoulême e sucedeu ao pai com apenas nove anos.


O longo reinado de Henrique foi marcado por disputas internas e assistiu à revolta de Simão de Montfort, Conde de Leicester.

Simão de Monforte é originário da casa de Monforte-Amaury, uma família de barões de Île-de-France pelo lado paterno, Simão III de Monforte, e da nobreza anglo-normanda pelo lado de sua mãe, Amicie de Beaumont, dama de Leicester.
Seu avô, Amaury III de Monforte foi conde de Évreux e Senescal da França. Seu pai Simão era gruyer real da floresta de Yvelines. Sua mãe era herdeira da metade do condado de Leicester e tinha o direito ao título de Senescal da Inglaterra. Os detalhes de sua infância são desconhecidos.


Apesar de cunhado de Henrique III, Leicester não lhe fez a vida fácil e foi o responsável pela convocação da primeira sessão do parlamento britânico, ao abrigo das disposições da Magna Carta.

Em 1264, Henrique é derrotado em batalha de Lewes e feito prisioneiro.

No ano seguinte, por iniciativa do seu herdeiro Eduardo, que derrotou decisivamente o rebelde Simão de Montfort, na batalha de Evesham, é libertado e reprime com violência os últimos focos de revolta.

Por volta de 1270, Henrique abdica em tudo menos no aspecto formal para Eduardo e morre em 1272 com 65 anos.

Encontra-se sepultado na Abadia de Westminster em Londres.

  • Descendência

  • De sua mulher, Leonor da Provença:
1-Eduardo I, rei de Inglaterra (1239-1307)
2-Margarida Plantageneta (1240-1275), casou com Alexandre III da Escócia.Tiveram 3 filhos
  • está sepultada na abadia de Dumferline.
3-Beatriz Plantageneta (1242-1275), casou com João II, Duque da Bretanha.Tiveram 6 filhos
4-Edmundo, conde de Leicester (1245-1296)
5-Catarina (1253-1257)-Faleceu com 4 anos

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

D,João I


João I de Inglaterra ou João Sem Terra

Nasceu em Oxford, 24 de Dezembro de 1166
Morreu no Castelo de Newark, Nottinghamshire, 18 de Outubro de 1216

Pela Graça de Deus, Rei de Inglaterra, Senhor da Irlanda, Duque da Normandia e da Aquitânia e Conde de Anjou

Quinto filho de Henrique II, não herdou nenhuma terra quando da morte de seu pai, fato que lhe deu o seu cognome.
Passou à História como o rei que assinou a Magna Carta, considerado o início da monarquia constitucional em Inglaterra.
  • Primeiros anos
Era o mais novo entre os cinco filhos do rei Henrique II de Inglaterra e Leonor da Aquitânia e não se esperava que sucedesse ao trono.

Foi, no entanto, o único dos filhos legítimos de Henrique II que não se revoltou contra o poder do pai. Talvez, como compensação, João foi nomeado Senhor da Irlanda em 1185.

O seu governo foi desastroso e foi obrigado a abandonar o território poucos meses depois.

Em 1188, Henrique tentou tornar João Duque da Aquitânia, em substituição de Ricardo Coração de Leão, que considerava de pouca confiança.

O resultado foi catastrófico para Henrique II, que morreu durante a expedição punitiva organizada contra Ricardo.

Ricardo ascendeu ao trono e, antes de partir para a Terra Santa, nomeou como seu sucessor e herdeiro da coroa o sobrinho Artur.

Entre 1189 e 1194, João foi a figura mais importante de Inglaterra durante a ausência de Ricardo, primeiro em cruzada, depois no cativeiro na Alemanha.

João insurgiu-se contra Ricardo e, aliando-se de novo ao rei da França, apoderou-se da alta Normandia e da Touraine.

Foi a si que coube a tarefa de reunir os 150,000 marcos necessários para pagar o resgate de Ricardo a Henrique VI, Imperador do Sacro Império.
Esta soma representava na altura uma verdadeira fortuna que obrigou à imposição de impostos especiais e deixou Inglaterra na bancarrota.

Talvez devido a isto, João não foi um regente popular e é frequentemente retratado como vilão em histórias como Ivanhoé ou nas lendas de Robin Hood. Ricardo, no regresso, concedeu-lhe o perdão e, pouco antes de morrer, proclamou-o herdeiro do trono.

  • Ascensão ao trono inglês (1199)
João sucedeu na coroa de Inglaterra em 1199, depois da morte de Ricardo Coração de Leão numa batalha em França.
Repudiou então a esposa Isabel de Gloucester

casamento foi anulado Por razões de consanguinidade eram primos, ambos descendentes de Henrique I. Como resultado, a Isabel nunca foi reconhecida como rainha da Inglaterra e seu antigo título foi incorporado na coroa.

e contraiu matrimónio com Isabel de Augoulême. João, entretanto, não foi aceite logo por todos os seus súditos. Na Normândia, os nobres preferiram a pretensão de Artur I, Duque da Bretanha, o seu sobrinho de doze anos.


Para resolver o problema, João invadiu o Ducado da Bretanha em 1202 e Artur I apelou para a ajuda do rei Filipe II de França e declarou-se seu vassalo. Artur foi capturado, e possivelmente assassinado, no ano seguinte, mas já era tarde demais para impedir a intervenção dos franceses.

Foi denunciado por Filipe II Augusto perante a Corte dos pares por ter raptado Isabel de Angoulême, que justificou que em 1204, Filipe II tenha invadido e conquistado a Normândia e o Condado de Anjou.

Depois da morte de João, Isabel ajudou na coroação do filho e voltou para Angoulême.

Levou com ela a filha Joana, que havia sido prometida em casamento a seu antigo noivo, Hugo de Lusignant, Isabel acabou superando a filha e se casou com Hugo. A filha voltou para a Inglaterra e acabou casando com Alexandre II da Escócia.

Hugo de Lusignant, perdidamente apaixonado e feliz pelo reencontro com a noiva tornou-se um escravo da beleza e da sensualidade de Isabel. Ao morrer, Isabel foi homenageada pelo filho e rei da Inglaterra, que colocou na lápide da mãe a inscrição: "Isabel de Angoulême: Nunca houve uma mulher tão bela

Os aliados de João Sem Terra, entre os quais o imperador germânico Oto IV, foram batidos em Bouvines (1214), sendo ele mesmo vencido em Roche-aux-Moines. João nunca conseguiu recuperar estes territórios e as possessões inglesas no continente limitaram-se a partir de então ao Ducado da Aquitânia.

Para Philippe Contamine, "a batalha de Bouvines teve, ao mesmo tempo, importantes conseqüencias e uma grande repercussão". Oto perdeu sua coroa e o Sacro Império Romano Germânico viria a desintegrar-se

Enquanto rei, João procurou reorganizar as finanças do seu país, debilitadas depois do resgate pago pela libertação de Ricardo.

Uma das medidas que tomou foi instituir um novo imposto sobre os nobres que falhavam na sua obrigação de fornecer soldados e material militar à coroa.

Além disso, João acabara de perder territórios para França e interferiu na escolha do Arcebispo da Cantuária, não aceitando o candidato do Papa Inocêncio III, o que lhe valeu o desagrado do Sumo Pontífice e sua excomunhão em 1211.

O rei respondeu com o confisco dos bens eclesiásticos. Os nobres viram esta repreensão da Igreja como um incentivo à revolta e em breve o país encontrava-se em estado de quase guerra civil.

Para não perder o valioso apoio de Roma, no entanto, o monarca, em 1213, submeteu-se ao papa e enfeudou seus reinos à Santa Sé.

  • Fracasso na França e rebelião dos barões na Inglaterra
  • João sem Terra assina a Magna Carta.
Depois de fracassar na tentativa de recuperar seus domínios na França, regressou à Inglaterra.

Ali enfrentou a rebelião dos barões, os quais obrigaram-no, perto de Londres em em 15 de Junho de 1215, a assinar, outorgar e jurar a Magna Carta (ou Carta Magna) aos barões e à burguesia, insatisfeitos com sua política.

A Magna Carta, que que limitou o poder monárquico, era um tratado de direitos, mas principalmente deveres, do rei para com os seus súditos. Considera-se que este tratado marca o início da monarquia constitucional em Inglaterra.

A cláusula mais importante para João, naquele momento, era a 61ª, conhecida como "cláusula de segurança" e a mais extensa do documento. Estabelecia um comité de 25 barões com poderes para reformar qualquer decisão real, até mesmo pela força se necessário.

João não pretendia honrar a Magna Carta, já que esta havia sido selada sob coerção; ademais, a cláusula 61 anulava, para todos os efeitos práticos, as suas prerrogativas como monarca

João pediu ajuda ao papa, que o eximiu do juramento. O rei passou a ignorar todos os pontos do documento.

Em 1216, muitos barões descontentes com o péssimo reinado de João Sem Terra, apoiaram a invasão da Inglaterra pelos franceses liderados pelo príncipe Luis VIII de França e ofereceram o trono a este.

Ele foi proclamado "Rei de Inglaterra" em Maio desse ano mas nunca foi coroado. Luis aceitou o cargo com grande pompa e celebração na Catedral de St. Paul, em Londres onde muitos nobres incluindo o próprio Rei Alexandre da Escócia, estavam presentes e juraram-lhe vassalagem.

Porém havia ainda um pequeno foco de resistência a ele e após um ano e meio de guerra, a maioria dos barões rebeldes foi derrotada e Luis teve que desistir do trono da Inglaterra ao assinar, em 1217, o Tratado de Lambert.

Nele, Luis concordava que ele nunca fora um legítimo Rei de Inglaterra.

A morte de João Sem Terra e o apoio para o jovem Henrique III acabaria por apressar esses factos.

João sem Terra morreu em Newark, Inglaterra, em 18 de Outubro de 1216, possivelmente envenenado por um abade irritado por ele ter tentado seduzir uma freira e encontra-se sepultado na catedral de Worcester.

Subiu ao trono seu filho Henrique III.

Descendência

  • 1-Henry III da Inglaterra (1 de outubro de 1207 - 16 Novembro 1272)
  • 2-Richard, Conde de Cornwall e Rei dos Romanos (5 de janeiro de 1209 - 2 de Abril 1272). Casado em primeiro lugar com Isabel Marshal, em segundo lugar com Sancha da Provença, e em terceiro lugar com Beatriz de Falkenburg.
  • 3-Joana (22 de Julho de 1210-1238), a esposa de Alexander II da Escócia
  • 4-Isabel (1214-1241), esposa do imperador Frederick II
  • 5-Eleanor (1215-1275), que viria a casar em primeiro lugar, com William Marshal, 2º conde de Pembroke e depois com Simon de Montfort, 6º Conde de Leicester.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Ricardo Coração de Leão


  • Nasceu a 8 de Setembro de 1157
  • Moreu a 6 de Abril de 1199
  • Títulos
  • Duque de Aquitânia
  • Conde de Anjou
  • Duque da Normandia

  • . Ricardo é também conhecido por vários cognomes, entre eles Coração de Leão (Coeur de Lion, Lionheart), Oc et No (sim e não em provençal) e Melek-Ric (Rei-Ric[ardo]) pelos muçulmanos do Oriente Médio, que usavam a sua figura para ameaçar as crianças que se portavam mal.
Ricardo foi um dos líderes da Terceira Cruzada e foi na sua época considerado como um herói.

  • Primeiros anos
Ricardo foi o terceiro filho de Henrique II de Inglaterra e Leonor da Aquitânia, depois de Guilherme, Conde de Poitiers, que morreu criança, Henrique o Jovem e de Matilde

Foi educado essencialmente pela mãe e quando Leonor decidiu separar-se de Henrique II e ir viver em Poitiers no fim da década de 1170, Ricardo acompanhou-a.

Enquanto príncipe recebeu uma excelente educação, mas sobretudo voltada para a cultura francesa. Ricardo nunca aprendeu a falar inglês e pouca ou nenhuma importância deu a Inglaterra durante a sua vida.

Essa "negligência" beneficiou seu irmão João, que posteriormente, quando de sua ausência, na terceira cruzada, tenta-lhe usurpar o poder.

  • Ricardo Coração de Leão.
Em 1168 tornou-se Duque da Aquitânia em conjunção com Leonor, no âmbito da política de Henrique II em dividir os seus territórios pelos filhos. A medida não obteve os objectivos esperados porque, em 1173, Leonor e Ricardo foram os responsáveis por uma revolta generalizada contra Henrique II que partiu da Aquitânia.

O rei controlou os motins no ano seguinte, perdoando a Ricardo e Henrique o Jovem, mas encarcerando Leonor. Talvez por isso e pelo humilhante pedido de desculpas a que foi obrigado, Ricardo nunca se reconciliou totalmente com o pai.

Após este episódio, Ricardo teve que lidar ele próprio com diversas revoltas da nobreza da Aquitânia que desejavam vê-lo substituído por um dos irmãos, e que suprimiu com violência.

Com a morte de Henrique o Jovem em 1183, Ricardo torna-se no inesperado sucessor do trono inglês e do Ducado da Normandia.

Em 1188, como a relação dos dois que continuava péssima, Henrique II considerou que Ricardo não merecia mais a Aquitânia e tentou entregar este ducado a João Sem Terra, o seu filho mais novo.

Ricardo, por sua vez, não gostou de se ver preterido pelo o irmão e preparou-se para defender o seu território, pedindo ajuda a Filipe II de França. Juntos, responderam à invasão das tropas de Henrique II, que acabou por morrer pouco depois de ter sido derrotado na batalha de Chinon em 1189.

  • Rei e Cruzado
Ricardo tornou-se então rei da Inglaterra, duque da Normândia e conde de Anjou, sucedendo ao pai que detestava, sendo coroado em 3 de Setembro, na Abadia de Westminster.

Livre para perseguir os seus próprios interesses, Ricardo não permaneceu muito tempo na Inglaterra. Imediatamente após a subida ao trono, começou a preparar a expedição à Terra Santa que seria a Terceira Cruzada.

Para tal, não hesitou em esvaziar o tesouro do pai, cobrar novos impostos, vender títulos e cargos por somas exorbitantes a quem os quisesse pagar e até libertar o rei Guilherme I da Escócia dos seus votos de vassalagem por cerca de 10,000 marcos.

O único entrave era a ameaça constante que Filipe II de França representava para os seus territórios no continente e que Ricardo resolveu convencendo-o a juntar-se também à cruzada.

A primeira paragem dos cruzados foi na Sicília em 1190, onde Ricardo e Filipe se imiscuíram na política local, saqueando algumas cidades de caminho. É nesta altura e por este motivo que Ricardo compra a inimizade do Sacro Império e nomeia o sobrinho Artur I, Duque da Bretanha como seu herdeiro.

Em 1191, Ricardo e o seu exército desembarcam em Chipre devido a uma tempestade. A presença de tantos homens foi considerada uma ameaça pelo líder bizantino da ilha, e em breve os conflitos apareceram.

A resposta de Ricardo foi violenta: não só se recusou a partir, como massacrou os habitantes das cidades que lhe resistiram, espalhando a destruição na ilha. Depois do cerco de Cantaras, Isaac Comemnos abdicou e Ricardo tornou-se no dono de Chipre.

Foi também neste ano que casou com a princesa Berengária de Navarra, numa união a que nunca ligou e que não produziu descendência.

Em Junho de 1191, Ricardo chega à Terra Santa a tempo de aliviar o cerco de Acre imposto por Saladino. Estava já sem aliados, depois de uma série de desavenças com Filipe e o duque Leopoldo V da Áustria.

A sua campanha foi um sucesso e granjeou-lhe o estatuto de herói, bem como o respeito dos adversários, mas sozinho com o seu exército não poderia nunca realizar o seu principal objectivo de recuperar Jerusalém para o controle cristão.

Além disso, a influência de João na política em Inglaterra e de Filipe II, demasiado próximo agora da Aquitânia e Normandia, obrigavam um urgente regresso à Europa. No Outono de 1192, Ricardo iniciou o caminho de volta, depois de se recusar em ver sequer de longe Jerusalém.

Na viagem de regresso, Ricardo reencontrou Leopoldo da Áustria, que não lhe havia perdoado os insultos recebidos em Chipre, foi feito prisioneiro e mais tarde entregue ao imperador Henrique VI do Sacro Império.

O seu cativeiro em Dürnstein, na Áustria, não foi severo e durante os quatorze meses em que foi mantido prisioneiro (de Dezembro de 1192 a 4 de Fevereiro de 1194) Ricardo continuou a ter acesso aos privilégios que a sua condição de rei determinava.

O seu resgate custou 150 000 marcos ao tesouro de Inglaterra, soma equivalente ao dobro da renda anual da coroa, o que colocou o país na absoluta bancarrota e obrigou a muitos impostos adicionais nos anos seguintes.

Como prova de agradecimento a Deus pela sua libertação, Ricardo arrependeu-se publicamente dos seus pecados e foi coroado uma segunda vez. Apesar do esforço do país para o libertar, Ricardo abandonou a Inglaterra de novo ainda no mesmo ano de 1194 para lidar com os problemas fronteiriços com a França nos territórios do continente.

Desta vez para não mais regressar. Ricardo morreu como consequência de ferimentos provocados por uma flecha que o atingiu no abdómen em Abril de 1199.

O próprio facto de ter sido atingido naquela zona do corpo é revelador da sua personalidade. Se tivesse usado uma armadura nesse dia, não teria morrido.

Pouco antes de morrer,Ricardo proclamou o seu irmão João herdeiro do trono.

O seu corpo está sepultado na Abadia de Fontevraud, junto de Henrique II de Inglaterra e de Leonor da Aquitânia, seus pais.